Agora eu sei que minha casa é o mundo

Descobri um único problema em viajar: vicia. E vicia tanto a ponto de, quando você chega em “casa”, não querer chegar. Acho que é porque o mundo é mesmo uma casa.

Ando preguiçosa para escrever, mas os pensamentos correm tão soltos em minha cabeça. É o estado de espírito, que anda tão livre e não pode ser aprisionado em palavras. Mas vou tentar.

Deixei essa ilha sagrada no dia 28 de junho, depois de seguidas semanas de estresse para conseguir meu ID CARD. O Id Card funciona como uma identidade na Europa. Sem isto, não poderia sair de Malta, já que meus três meses como “turista” já haviam passado. Burocracias. Sorte de viajante de primeira viagem, ou não, consegui meu ID, depois de dois meses de espera, um dia antes da trip. Alívio foi o que definiu esse dia. Alegria. Cervejas também.

Primeira parada: Milão. Depois de meses longe das amigas queridas, um abraço triplo. Nosso sonho de viajar juntas, enfim, estava se concretizando. E não era só isso. O que realmente importava é que estávamos juntas. Juntas naquele pontinho do mapa mundi, como costumamos dizer.

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Li certa vez o relato de um viajante, e lá ele dizia que sofria quando viajava por lugares lindos. É, sofria. E só agora eu entendo. O ato de se viajar sem as pessoas que amamos soa tão egoísta a quem viaja que o coração fica apertado. No texto ele falava que sentia as maravilhas lhe tocar os olhos e o egoísmo o corroia. “Era como se eu sentisse vergonha de estar ali sem as pessoas que eu amo.” E agora tudo fazia mais sentido. Eu sentia o belo, com pessoas que eu realmente amo.

O avião partiu para Paris às seis e meia da manhã. A capital da França esbanja organização e limpeza. Um sustinho na chegada: nunca havia visto uma malha de metro com tantas conexões. Superado. Outro: presenciar um assalto na estação em plena manhã parisiense. A sensação de impotência é inexplicável. Choros e gritos no metrô. Medo de perder a única coisa que tinha: a mochila pesada. Desse dia ficou a lição: atenção aos pickpockets (batedores de carteira). E não foi só isso.

Outra importante: nunca leve mais do que precisa na sua mochila, afinal, você terá que carregá-la por todos os lados. A minha tinha dez quilos, e todas as vezes que a colocava em meus ombros, lembrava do sábio Thoreau. De modo simplista, ele dizia que um homem é livre na proporção de coisas que pode deixar para traz. Dos dez quilos que levava, tenho certeza, que apenas precisava de cinco. Ou menos.

Bem vindo à Paris

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Não sei se pode soar ignorante, mas a Torre Eiffel me surpreendeu pela sua majestade. Nunca fui fã de Paris, e para falar a verdade, nunca foi um desejo grande conhecê-la. Mas como eu estava enganada.

Sai da parada de metro com os olhos curiosos, procurando a danada. E lá estava ela. Gigantesca, ilustrando um céu azul impecável. Outra parte da ilustração, ainda mais bonita, ficava a cargo de uma noiva, que fazia seu ensaio aos pés da torre. Em Paris há amor. E muito mais do que isso.

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É verão na Europa. Na França as pessoas tomam os parques sem recalque. O gramado verde vira cenários de topless, picnic, cenas de beijos e até pequenos desentendimentos. De tão bela, Paris por vezes parece de mentira.

A terra que abriga Monalisa, queridinha de Leonardo da Vinci, supera a expectativa de Louvre, Notre Dame, Moulin Rouge ou Jardim de Luxemburgo. Paris respira cultura, música e charme. Meu lugar favorito? O canal perto do hostel. Todos os dias, sem pestanejar, centenas de jovens o tomam e ficam a tocar todos os tipos de instrumentos que se pode imaginar. Acompanhado é claro, de vinhos baratos.

Outro inesquecível é o boteco onde comi o melhor nachos da minha vida. Não pelo sabor. Mas pela companhia (Carol), pela cerveja gelada, pela boa educação dos garçons e claro, por todo aquele clima gostoso do canal. É uma grande ofensa não lembrar do nome deste cantinho. Eu sei. Mas posso contar que fica no canal Du Terrage. Outra falha: não provei o croissant francês.

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E esse é o começo de tudo.

Nos próximos posts conto as peripécias de Amsterdam, Londres, Liverpool e Dublin. Senta que lá vem história. Agora que me descobri viciada, não posso parar. Um brinde ao mundo.

6 Respostas para “Agora eu sei que minha casa é o mundo

  1. Perfect! Tenho orgulho de ser coruja! Posso confessar q agora fiquei curiosa quanto a Paris! Estou doida pra conhecer as minhas queridinhas amsterdam e londres pelas suas palavras e sensaçoes! 🙂

  2. AI que delicia Cuca! Estava com saudades das tuas aventuras! Adorei, pode continuar escrevendo que vou aguardar ansiosamente os próximos posts! Até eu que não sou fã de Paris fiquei com vontade de conhecer! Beijão!!

  3. Ai que TUDO Cuca! AMEI ❤
    Post lindo e fotos maravilhosas! A sua foto com a linda Torre Eiffel parece ter um fundo de nuvens de algodão doce (:
    Saudades…
    beijos

  4. Uhul! Mais uma vez arrasou!
    Volta logo pra contar tudo de tudo na companhia de uma cerveja e todas nós, juntinhas, de novo.
    Saudades mil ;*

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