Um desabafo. Um gole de cerveja.

Os-Idosos-e-os-Velhos

O Cuca pelo mundo está com saudade de estar pelo mundo. É abstinência. De tremer e querer largar tudo.  A boa notícia é que o mundo é qualquer lugar e mesmo aqui neste meu espaço de mundo, estou aprendendo a contemplar cada detalhe com olhar de turista.

Mas a vida nos prega peças. Tantas. E acho que vamos perdendo certos hábitos.

Mais uma vez eu me sinto uma folha em branco. O cursor pisca, pisca, pisca.

Há algum tempo venho tentando entender um fenômeno que toma conta de mim e, quem sabe, do meu grupo de amigos. Deixei de lado aquela vontade louca de gritar aos quatro cantos o que eu penso e por muitas vezes prefiro ficar quietinha no meu próprio. Acho que a resposta é a idade. Os anos vividos são difíceis de serem discutidos quando somos jovens. Mas lhe digo que pesam. Pesam porque é essa juventude que precisa fazer alguma e coisa e, pasmem, não fazem. E eu não faço. Estou perdendo a fé na humanidade. E na minha juventude. E em todos esses jovens. Coisa que há até pouco tempo atrás parecia impossível. Indissociável da minha fé (?) e credos (?). Os quais não tenho.

Aquela gritaria nas aulas de Jornalismo, com portas batendo e gente chorando, quando não compreendida, parece não fazer sentido. Hoje nossas reuniões costumam ser regadas a copos de cerveja, com pitacos sobre política, é claro, mas com aquela dose exagerada de “Cara, se você pensa assim, tudo bem. Deixa para lá”. E assim caminha a humanidade.

Comodismo? Pode ser. Só sei que minha cabeça não para. E não para nunca. Seja na conversa mais simples no elevador, quando minha vizinha pensa ser “ridícula” a atitude do condomínio de “obrigar” os moradores a levarem seu PRÓPRIO lixo até a garagem, fazendo a separação adequada. “É um absurdo, né?”. Seja quando já estou deitada pensando nisso tudo. Afinal, o que é absurdo nessa história?

A dondoca não querer ser responsável pelo SEU próprio lixo? Eu ignorá-la?  Eu acenar a cabeça em sinal de aprovação e, internamente, estar explodindo, querendo escrever 50 mil caracteres sobre o tema, mas não falar nada? Não escrever nada?

Eu acenei com a cabeça. Eu sorri para ela. Eu pensei “Se você pensa assim, tudo bem. Eu não. Será que eu deixo para lá?”. E assim caminha a humanidade. Eu quero uma cerveja. Eu, eu, eu, eu. Absurdo?

 

Uma resposta para “Um desabafo. Um gole de cerveja.

  1. Puxa… fiquei pensativa com o seu texto. Me sinto muito explosiva com relação as minhas opiniões e deixo um vulcão entrar em erupção quando me revolto com algo. Porém, não sinto que mudo algo com essa minha “impaciência”. É de se pensar até que ponto discutir é legal e até que ponto ficar quieto é o melhor.

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